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Sociedade Portuguesa de Pediatria
Acta Pediátrica Portuguesa Consulte a nossa Publicação

A Sociedade Portuguesa de Pediatria foi fundada em 1948. Era o culminar de uma ideia de um grupo de Pediatras que, durante 10 anos e a pouco e pouco, tinham lançado os alicerces que contribuiriam para que tal realização se tornasse possível.

1.ª Direcção da Sociedade Portuguesa de Pediatria - Os 4 fundadores, Carlos Salazar de Sousa e Abel da Cunha

1.ª Direcção da Sociedade Portuguesa de Pediatria - Os 4 fundadores, Carlos Salazar de Sousa e Abel da Cunha

De facto, por volta de 1937, o Professor Carlos Salazar de Sousa, figura bem conhecida de todos, regressado de Roma, onde representara oficialmente o nosso País no IV Congresso Internacional de Pediatria, decide enviar uma circular a vários colegas indagando a sua opinião sobre as condições de êxito de publicação de uma Revista de Pediatria e acrescenta “confesso que não esperava o entusiástico acolhimento obtido e o número de cartas de aplauso“ o que, ainda segundo as suas palavras “foram provas evidentes de que o terreno estava apto a frutificar desde que a semente fosse lançada“.

E assim surge, em Janeiro de 1938, o primeiro número da Revista Portuguesa de Pediatria.

Capa do 1º n.º da Revista Portuguesa de Pediatria e Puericultura

Capa do 1º n.º da Revista Portuguesa de Pediatria e Puericultura

Já no prefácio dessa Revista dizia Carlos Salazar de Sousa, o seu fundador “outro fim ainda podia a nossa Revista ter, talvez mais distante, mas que tenho esperança de alcançar: a fundação da Sociedade Portuguesa de Pediatria“.

Essas eram afinal, ainda segundo o próprio Professor Carlos Salazar de Sousa, “palavras proféticas pois veio a verificar-se que a existência uma Sociedade, onde os problemas de pediatria pudessem ser discutidos, viria a tornar-se indispensável e uma realidade“.

Coube a Manuel Cordeiro Ferreira tomar a iniciativa da concretização deste objectivo.
E assim, procurando o apoio de Castro Freire (Lisboa), Almeida Garrett (Porto) e Lúcio de Almeida (Coimbra) meteu ombros à criação da Sociedade Portuguesa de Pediatria.

Os estatutos foram elaborados e, em 1948, foi oficialmente reconhecida a Sociedade que conta hoje cinco décadas de existência.

A sessão inaugural teve lugar na Sala Nobre do Hospital de S. José sob a Presidência do então Ministro do Interior.

1948-58

No 1.º período da S.P.P., que vai de 1948-58, dominou a preocupação de instalar a Sociedade, fazê-la progredir e dar-lhe credibilidade.
Ao tentamos analisar esses primeiros anos apercebemo-nos do trabalho que recaiu sobre os seus fundadores.

De facto, todos e cada um, multiplicaram as suas tarefas; foram incansáveis no desenvolver de realizações que de qualquer modo, pudessem não só prestigiar a Sociedade mas contribuir para que a Pediatria entre nós experimentasse um real avanço. Porque, podemos dizê-lo, a história da Sociedade Portuguesa de Pediatria confunde-se com a história da Pediatria em Portugal, de tal modo a Sociedade incluía no seu elenco os Pediatras de maior prestígio em Portugal e que souberam projectar a Pediatria portuguesa além fronteiras, sobretudo na Europa e também no Brasil.

De facto, os 5 primeiros Presidentes da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Almeida Garrett (48-50), Castro Freire (50-52), Lúcio de Almeida (52-54), Manuel Cordeiro Ferreira (54-56) e Fonseca e Castro (56-58) deixaram o seu nome ligado às maiores realizações no campo da Pediatria, quer na Universidade onde quatro deles foram professores quer nos Hospitais Civis, como é o caso de Manuel Cordeiro Ferreira, cujo nome e prestígio ficaram ligados ao Hospital de D.ª Estefânia, do qual foi Director.

Neste período de 48-58, perpassaram pela Sociedade Portuguesa de Pediatria alguns dos nomes mais representativos da Pediatria Europeia.
A actividade da jovem Sociedade dividia-se entre as sessões ordinárias que em Lisboa tinham lugar numa 5ª feira em cada mês com a sua réplica no Porto, também em reuniões regulares, e as Jornadas Internacionais de Pediatria realizadas de 2 em 2 anos e que contribuíram grandemente para o prestígio da Sociedade pois trouxeram até nós vultos da Pediatria Europeia.

Assistência no dia da inauguração da Sociedade Portuguesa de Pediatria

Assistência no dia da inauguração da Sociedade Portuguesa de Pediatria

Estiveram, de facto entre nós, podemos dizê-lo com um certo orgulho, os nomes que marcaram a Pediatria das décadas de 50 e 60, Debré, de Toni, Fanconi, Suarez, Lelong, Lamy ... e tantos outros que até nós trouxeram os últimos avanços da Pediatria e nos ajudaram a encetar novos rumos, numa área da Medicina que se desenvolvia de uma maneira até então insuspeitada.

Mas esta década, ficou marcada por um verdadeiro acontecimento: o 1º Congresso Nacional de Protecção à Infância que teve lugar em Novembro de 1952.

“O I Congresso Nacional de Protecção à Infância constituiu sem dúvida, (nas palavras de Vítor Fontes) um notável acontecimento no nosso meio médico.

Durante 3 dias, cerca de quatro centenas de pessoas entre as quais se encontravam médicos, professores, sacerdotes, juristas, trabalhadores sociais, etc. - puderam apresentar as suas opiniões e fazer as críticas que julgaram oportunas, num perfeito ambiente de compreensão e interesse. Foi um Congresso em que não houve recepções, passeios, festas e contudo a concorrência às sessões foi sempre numerosíssima. Trabalhou-se muito e com acerto“.

“De facto, este Congresso apresenta-se-nos agora, a mais de 30 anos de distância, como uma primeira tentativa, nunca mais repetida, de reflexão em conjunto, dos responsáveis pela saúde da criança, em Portugal, numa perspectiva de saúde global tal como hoje é entendida pela OMS. Foi um momento grande na História da Sociedade Portuguesa de Pediatria; muitas das suas conclusões serviram de base a “determinadas“ “resoluções superiores“ ; outras, “embora mantendo-se actuais, nunca foram concretizadas“.

1958-68

Organizadores do Congresso Internacional de Pediatria

Organizadores do Congresso Internacional de Pediatria

A segunda década da Sociedade Portuguesa de Pediatria, de 1958-68, não se limitou a continuar o programa traçado anteriormente. Iniciada sob a Presidência de Carlos Salazar de Sousa, lançou-se em novos empreendimentos e perspectivou novas actividades entre as quais devemos destacar a candidatura para a realização do Congresso Internacional de Pediatria no nosso País.

Tarefa arrojada que alguns anos atrás seria impensável - a realização de um Congresso Internacional - foi possível graças à determinação dos seus organizadores e à feliz coincidência de estarem terminadas as construções da Cidade Universitária, com o grande Edifício da Reitoria, as Faculdades de Letras e Direito que assim' ofereceram o enquadramento ideal para um Congresso desta dimensão.

O Congresso Internacional de Pediatria que teve lugar em Lisboa em 1962, representou um elemento de divulgação da Pediatria Portuguesa no estrangeiro.

Acerca dele escreveu Salazar de Sousa, mais tarde, em 1973: “perdura ainda o eco das vozes que enalteceram os primores da sua organização e, em copiosa correspondência recebida pelo seu Presidente, ele é indicado como o melhor de quantos se tinham até então realizado e exemplo a seguir pelos que lhe sucederam“.

Santos Bessa, Mário Cordeiro, Carlos Areais e Nuno Cordeiro Ferreira presidiram aos destinos da Sociedade, a seguir a Carlos Salazar de Sousa e a eles se devem muitas das realizações que, iniciadas nesta década, vieram a continuar-se na década seguinte emprestando grande prestígio a esta Sociedade. Refiro-me aos Cursos de Actualização e Aperfeiçoamento em Pediatria iniciados em Aveiro, em 1968, e sucessivamente levados a cabo, e, ainda hoje, em várias cidades do País, e as Reuniões Luso-Castelhano-Astur Leonesas de pediatria, em colaboração com os nossos colegas espanhóis, iniciadas no ano de 1966 em Léon e que desde então têm continuado a realizar-se de 2 em 2 anos. 

1968-78

Local do Congresso Internacional de Pediatria - a recém inaugurada Cidade Universitária

Local do Congresso Internacional de Pediatria - a recém inaugurada Cidade Universitária

De 1968 a 1978, além destas reuniões periódicas, a Sociedade Portuguesa de Pediatria procurou colaborar com outras Sociedades Médicas sempre numa perspectiva multidisciplinar e multinstitucional. Realizou também as 1 Jornadas Pediátricas de Angola em 1968 sob a Presidência do Prof. Nuno Cordeiro Ferreira e as I Jornadas Internacionais de Pediatria Social, também em Angola, onde contou com a presença de grande número de pediatras estrangeiros, nomeadamente espanhóis e francesas.

Em 1973 realizou-se o seminário sobre a Criança na Comunidade Luso-Brasileira que trouxe até nós muitos pediatras de vários locais do Brasil, e durante o qual foram confrontados alguns dos problemas sociais referentes à criança nas duas comunidades'.

Membros da S.P.P. na década de 80

Membros da S.P.P. na década de 80

Exactamente neste mesmo ano, 1973, completou 25 anos a Sociedade Portuguesa de Pediatria. Tal data fica assinalada pela presença de dois volumes comemorativos dessa efeméride, onde figuram muitos trabalhos estrangeiros assinados por nomes prestigiosos da Pediatria Internacional que assim quiseram prestar homenagem à nossa Sociedade. De facto, nesses dois volumes estão reunidos trabalhos de Debré, de Toni, Dogramaci, Hungerland, Jonxis, Lelong, Rossi, Berthet, Royer, Senecal e Salazar de Sousa, só para citar alguns... Foram Presidentes nesta década de 68/78, Armando Tavares, M. Lourdes Levy (2 mandatos), Lopes dos Santos e Crucho Dias.

1978-88

O mandato de 1978-80 teve como Presidente Ramos de Almeida. Coincidiu com o Ano Internacional da Criança e ficou assinalado por várias realizações em que a Sociedade Portuguesa de Pediatria teve um papel importante. Um pequeno volume sobre “A Criança Portuguesa“ e uma monografia sobre o Ensino de Pediatria a nível pré e pós-graduado em Espanha e Portugal ficam a assinalar, entre outras realizações, o Ano Internacional da Criança.

De 80 a 89 mais três Presidentes estiveram à frente da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Torrado da Silva, Marques Pinto e Sodré Borges.

Nesta década, em 1979, foi feita uma proposta para modificação dos estatutos e criação de novas especialidades. Assim, foi criada a Secção de Pediatria Social da Sociedade Portuguesa de Pediatria que nos seus 10 anos de existência tem tido uma actividade digna de ser realçada. Actuando sempre numa óptica multidisciplinar ela tem efectuado anualmente pelo menos duas reuniões em que, em conjunto com médicos, enfermeiros, assistentes sociais, professores, educadores e outros técnicos, tem discutido temas de grande interesse e importância social entre os quais destacaremos, pela sua actualidade, a Criança Maltratada e a Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança.

Em 1980 foi criada a Secção de Cardiologia Pediátrica que sob o impulso de Fernanda Sampayo tem desenvolvido grande actividade.

Em Maio de 1985 foram criadas mais 6 Secções da Sociedade de Pediatria (Imunoalergologia, Educação Pediátrica, Nefrologia, Hemato/Oncologia, Gastroenterologia, Neonatologia) e, muito recentemente a de Pediatria do Desenvolvimento.

1988-98

Estamos pois confiantes. A actividade ininterrupta que a Sociedade Portuguesa de Pediatria tem tido desde o ano de 1948 em que foi inaugurada graças à tenacidade de um pequeno grupo de Pediatras apoiado pelos 25 sócios fundadores, até à explosão que sofreu nos últimos anos com um número crescente de sócios e a criação de uma sede própria, são a prova evidente da sua vitalidade.

As várias secções subespecializadas, a diversidade das suas iniciativas, a colaboração permanente com Sociedades portuguesas e estrangeiras dão-lhe uma posição de destaque dentro do meio médico e uma dimensão que não tem cessado de crescer.

Maria de Lourdes Levy
(adaptado do texto da Conferência Especial proferida na Sessão Inaugural do II Congresso Nacional de Pediatria “Breve História da Sociedade Portuguesa de Pediatria“)